Qual a importância da coleta de amostra de leite?

20161017

Qual a importância da coleta de amostra de leite?

Fonte: MilkPoint

Com a crescente importância da análise do leite para a fiscalização, os sistemas de pagamento ou como ferramenta de gestão dentro da fazenda leiteira, os procedimentos de coleta de amostras e de análise laboratorial são hoje considerados pontos chave para a credibilidade e confiança dos resultados. Considerando que os laboratórios brasileiros de análise de leite têm programas de controle e aferição de equipamentos, a correta coleta, armazenamento e transporte da amostras até a análise passa a ser fundamental, pois dependendo desses fatores os resultados obtidos podem trazer resultados que não retratam a realidade e pode induzir a tomada de decisão equivocada. Os fatores mais críticos para obtenção de uma amostra representativa são: a) mão de obra, b) materiais e utensílios utilizados, c) procedimentos de coleta e transporte.

A representividade de uma amostra depende de padronização de procedimentos. Para tanto, o motorista do caminhão de coleta do leite (transportador) é uma figura chave para confiabilidade da amostra coletada. Este profissional deve ser constantemente capacitado para identificar problemas de qualidade do leite, procedimentos de higienização de utensílios, medição do volume do leite, coleta e transporte de amostras. É fácil perceber que o motorista do caminhão tem grande responsabilidade sobre a qualidade do leite, pois o seu trabalho é fundamental para medir os resultados dentro da fazenda e permitir que o laticínio pague de forma diferenciada e justa o leite. Recomenda-se que todos os responsáveis pelas coletas sejam submetidos a um treinamento inicial, antes do início das atividades, e que passem por capacitação periódica sobre cuidados e procedimentos de coleta.

Com relação aos materiais utilizados nas coletas, os cuidados principais são com a correta identificação, manuseio e uso de conservantes. Para as análises de composição e CCS, recomenda-se o uso de frasco plástico com capacidade de cerca de 40 ml, com adição de conservante bronopol (na forma de comprimidos) em concentração final de 0,02 e 0,05%. Para as análises de CBT, recomenda-se o uso de frascos estéreis e conservante azidiol (azida sódica e cloranfenicol), cuja função é impedir o crescimento microbiano nas amostras de leite durante o transporte e armazenamento da amostra antes da análise. Após a agitação do leite, o transportador deve coletar duas amostras em separado, sendo uma delas para composição e CCS e a outra para CBT. Ambas as amostras devem ser coletadas pela tampa do tanque e não pela válvula de saída, com o uso de uma concha de cabo longo (ou utensílio próprio para este fim) que possa ser megulhada para coletar amostra representativa de leite. Terminada a coleta, as amostras devem ser agitadas suavemente (inverter o frasco por repetidas vezes) de forma a misturar completamente o leite ao conservante. Finalizada a coleta, as amostras devem ser armazenadas em recipiente refrigerado (com gelo reciclável). Os resultados de composição, CCS e CBT são satisfatórios quando a amostra de leite é analisada em no máximo quarto dias entre a coleta a e análise.

Coleta de coleta de tanques
Uma das grandes fontes de variabilidade dos resultados de composição e contagem bacteriana de rebanhos leiteiros é falta de agitação prévia do leite do tanque. A razão para a necessidade de agitação prévia ocorre porque o leite em repouso tende a acumular a gordura na camada superior (creme ou nata), a qual se associa com microrganismos e células somáticas, resultando em resultados equivocados quanto à composição do leite. O objetivo de qualquer procedimento de agitação deve ser o que garantir que o leite coletado represente de maneira homogênea a composição do leite do tanque, sem no entanto, causar alterações da qualidade como a ruptura dos glóbulos de gordura – que ocorre sob excessiva agitação do leite. Por outro lado, a implantação de procedimentos rígidos de agitação pode levar ao aumento dos custos de transporte do leite, pois pode aumentar o tempo de permanência do caminhão na fazenda.

Ainda que seja um ponto crítico na credibilidade e funcionamento de programas de monitoramento e pagamento por qualidade, não existe unanimidade sobre os procedimentos para agitação do leite antes da coleta de amostras. Muitos países possuem legislações estabelecendo critérios mínimos para agitação do leite nos tanques imediatamente antes da coleta. No Brasil, o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Regrigerado e Transporte a Granel (IN 62/2011), apenas indica que antes do início da coleta, o leite deve ser agitado com utensílio próprio e ter a temperatura anotada”. Desta forma, não existe recomendação da legislação para um tempo mínimo de agitação do leite.

De acordo com a legislação canadense (para a província de Ontário), o leite deve ser agitado pelo menos por 5 minutos antes da coleta de amostras, sendo que esta recomendação também é seguida pelas demais províncias. Para a maioria dos estados do nordeste dos EUA, recomenda-se que o leite deve ser adequadamente agitado antes da coleta (agitação de 5 minutos para tanques abaixo de 3.800 L e de 10 minutos para tanques acima de 3.800 L – Farm Bulk Tank Collection Procedures, Dairy Practices Council). Alguns estados, contudo, seguem as recomendações da APHA (Standard methods for examination of Dairy Produtcts), a qual determina que o leite seja agitado por pelo menos 5 minutos imediatamente antes da coleta da amostra e que tanques acima de 5700 L tenham agitação de 10 minutos ou de acordo com o fabricante. Na Nova Zelândia, os códigos de práticas para coleta de leite determinam que o leite seja continuamente agitado durante o período de armazenamento, sendo que para silos de armazenagem de leite a agitação deve suficiente para que a variação do teor de gordura seja menor que 0,1% e que não haja variação de temperatura entre os vários pontos dentro do tanque, além de evitar a ocorrência de alteração dos glóbulos de gordura.

Atualmente, a maioria dos tanques de expansão para resfriamento de leite tem um uma pá com agitação intermitente (o agitador trabalha durante alguns minutos a cada intervalo de tempo). Esta estratégia reduz a adesão da gordura do leite nas superfícies do tanque, sem causar o rompimento dos glóbulos de gordura. para garantir a uniformidade das amostras de leite coletadas de tanques é recomendado que seja aplicada a agitação intermitente a cada hora e que o tempo mínimo de agitação antes da coleta de leite seja de 2 minutos. Em resumo, os vários organismos internacionais apresentam normas gerais para agitação do leite entre 5 e 10 minutos para tanques pequenos e grandes, respectivamente. Quando a agitação intermitente é usada (ciclos de agitação e repouso), a recomendação é de que o tempo de agitação mínimo de 2 minutos é adequado antes da coleta.

Coleta de amostras individuais (vacas)
A realização de análises individuais de CCS de todas as vacas do rebanho é um dos fundamentos de um programa de controle de mastite. Com os resultados de CCS individual pode-se identificar a prevalência da mastite subclínica no rebanho, monitorar a ocorrência dos novos casos e dos casos crônicos, assim como estimar as perdas decorrentes da mastite. Recomenda-se que as vacas em lactação sejam analisadas em relação a CCS uma vez ao mês. Da mesma forma que os procedimentos usados para amostras de tanque, a coleta de amostras individuais pode interferir significativamente na CCS. A amostra de leite para a realização da CCS deve ser composta dos quatro quartos e representativa de uma ordenha completa da vaca.

A coleta da amostra pode ser feita diretamente do balde, após o término da ordenha, para os sistemas de ordenha manual e balde ao pé. Nestes casos, recomenda-se que terminada a ordenha, o leite de um animal seja cuidadosamente agitado (transferindo-se o leite de um balde para o outro) e em seguida seja coletada a amostra, com o uso de uma concha higienizada, e transferida para o frasco com bronopol. Para a dissolução completa da pastilha de bronopol (conservante), recomenda-se inverter o frasco repetidas vezes. Nos sistemas de ordenha canalizado, a amostra deve ser coletada em amostradores ou medidores de leite, pois a amostra coletada representa o fluxo de leite ao longo da ordenha. Após o término da ordenha, recomenda-se uma agitação manual da amostra ou pela abertura da entrada de ar no medidor, antes de ser transferida a amostra para o frasco.

A amostra de leite para análise de CCS não deve ser coletada diretamente da vaca por ordenha manual, no início da ordenha. Os resultados dos estudos indicam que para amostras com alta CCS (> 200.000 cel/ml), os dois primeiros jatos de leite apresentam CCS cerca de 5 vezes maior dos que a CCS do leite total. Sendo assim, quando uma amostra para a realização de CCS é coletada apenas do leite dos primeiros jatos, pode-se ter resultados muitos superiores aos de uma amostra coletada durante toda a ordenha, indicando um resultado erroneamente elevado para aquele animal.

Fonte: publicado em SANTOS, M. V. Coleta de amostra de leite: Fundamental para monitorar a qualidade –  Inforleite.  p.32 – 34, 201

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